CARTA À APCA (ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CRÍTICOS DE ARTES)

Vimos a público manifestar nosso repúdio pela retirada da DANÇA da lista dos destaques do ano de 2015.

Para um prêmio com tamanha tradição no cenário das artes de São Paulo, foi inadmissível o procedimento tomado pela entidade, pois, desrespeitou toda a Dança brasileira, subjugando-a a entendimentos prosaicos e equivocados.

Nos causou estranheza e indignação, pois percebemos que os profissionais que integram o conselho desta entidade e principalmente a comissão responsável para definir os destaques do ano, não levaram em consideração ou sequer se deram conta da gigantesca diversidade da Dança paulista e brasileira, considerada patrimônio cultural do Brasil.

Por ignorância, ou despreparo, ou indolência, se portaram como Terpsícores, entidades supremas, detentoras do conhecimento da arte de dançar, para nós, um insulto, modo ultrapassado de agir.

Deveriam ter tido o mínimo de sensibilidade para perceber o quanto a Dança evoluiu, e principalmente se politizou nos últimos 15 anos.

Tal atitude nos pareceu contaminada de arrogância e ignorância, pois sequer levaram em conta o quanto a DANÇA está cada dia mais organizada no âmbito político, em busca de melhores condições de trabalho, e também o quanto isso vem influenciando de maneira positiva numa conscientização maior de classe.

Fazer Dança neste país é coisa séria, porque produzimos espírito crítico e reflexão, não temos nenhuma dúvida disso. Deveriam respeitar as importantes entidades oficiais que representam esta categoria, tais como: Cooperativas, Sindicatos e Associações. Segundo pesquisa realizada pela MUNIC/2006-IBGE, apontou a dança como a segunda atividade artística mais praticada nos municípios brasileiros, isso não é pouco.

Para terem ideia do que afirmamos, listamos algumas de nossas ações e conquistas:  Lei de Fomento à Dança na cidade de São Paulo (2005); Projeto de Lei Umberto Silva de Dança – Circulação estadual e internacional da dança de SP (tramita na comissão do orçamento na Câmara Municipal); Projeto de Lei 644/2015 de autoria do Senador Valter Pinheiro (regulamenta a atividade profissional do Bailarino no Brasil); PLP 190/2015 de autoria do Deputado Federal Carlos Zarattini (estabelece aposentadoria ESPECIAL ao profissional da dança no Brasil (breve entrará em tramitação na Câmara dos deputados).

A maneira como a DANÇA foi excluída desta lista, nos pareceu tão insólito e extraordinário, que inspiraria Franz Kafka, se ainda estivesse vivo. Os responsáveis por esta insensatez, demostraram não ter o mínimo respeito para com todos os artistas, pois se travestiram de curadores e detentores de uma soberba ineficaz, porque a Dança está muito além destes conceitos.

Infelizmente não conseguiram ter um olhar mais qualificado e amplo para a diversidade e pelo visto, ainda não entenderam que os modos de se criar dança é única e exclusivamente uma decisão que cabe apenas ao artista. Simples.

Outro ponto que consideramos preocupante e importante mencionar, é que a APCA não deveria ser o lugar de se tentar perpetuar influências tendenciosas, conceitos acadêmicos ou pessoais sobre a dança. Também não é o espaço para a crítica/divina ou da crítica de como se deve criar.

Não conseguir perceber que existem uma infinidade de artistas do mais alto grau de excelência no país produzindo obras de grande qualidade, nos pareceu absurdo e alienante.

Ressaltamos que a nossa indignação não está focada no ego da premiação ou na estatueta e sim no aspecto político, a DANÇA foi desrespeitada em toda sua grandeza e por motivos que nos pareceram escusos.

Entendemos que os representantes desta comissão em conjunto com a direção da APCA deveriam prestar explicações públicas à categoria.

Sem mais,

Conselho Administrativo da Cooperativa Paulista de Dança

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